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01/11/2017

Reduzindo custos de engenharia através da utilização de softwares



Thiago Turcato (*)

Todas as empresas, independentemente do porte, estão passíveis de sofrer com desperdícios. Sem processos bem desenhados e controlados, o desperdício acontece e, consequentemente, os custos operacionais são elevados. De maneira geral, a melhor forma de evitar as perdas e ter um bom controle dos processos é investir em tecnologia a fim de se facilitar a medição e comparação de dados, e, com isso, obter melhoria contínua de processos, práticas e da eficiência.

Neste aspecto, o cenário da automação industrial no Brasil ainda é incipiente, com boa parte das empresas ainda realizando suas operações de maneira manual. Estudos apontam que apenas cerca de 30% das indústrias brasileiras adotam a tecnologia em nível moderado ou alto. Com exceção das grandes corporações, a maior parte das companhias considera alto o custo para automatizar suas operações, sem conseguir visualizar o valor que a tecnologia embarcada agrega ao negócio.

Com a economia brasileira ainda em crise, as indústrias tendem a barrar investimentos elevados, sem a visão de que, muitas vezes, tal investimento na otimização de processos possibilita ganhos em qualidade e redução de custos. Como, por exemplo, a utilização de softwares.

Atualmente, os principais hardwares de automação industrial contam com softwares, seja para sua configuração, manuseio ou manutenção. O mercado oferece uma grande quantidade deles para cada tipo de equipamento, uma vez que cada fabricante possui softwares específicos, o que muitas vezes acaba tornando complexo o processo de integração, o que pode elevar o custo de mão de obra para a indústria.  

Como então seria possível ter um ganho em produtividade com o uso de softwares? O ideal é que a empresa busque trabalhar com um número reduzido de fornecedores. Ou mesmo procurar por um que consiga atender todas as pontas, visando uma total integração dos equipamentos.

Esta solução permite a centralização das informações de programação em uma única plataforma, trazendo visualização amigável de dados e, consequentemente, eliminando custos desnecessários com análise de problemas e reparação de erros de programação dos componentes.

É importante destacar que a utilização de componentes de diferentes fabricantes exige ainda uma grande versatilidade dos profissionais envolvidos, uma vez que a comunicação poderá envolver rede e linguagem distintas.

Se a operação contempla o máximo de equipamentos de um mesmo fabricante, que ofereça um software capaz de gerenciá-los no mesmo programa, o ganho em produtividade dos colaboradores também aumenta, concretizando assim o cenário ideal da automação industrial, onde a profissionalização da mão de obra acontece em conjunto com equipamentos e soluções, possibilitando assim bons resultados em quantidade, qualidade e redução de custos.

Como exemplo, podemos citar uma integração entre um Controlador Lógico Programável (CLP), que faz todo o controle dos equipamentos de automação industrial da operação, com um Inversor de Frequência. O primeiro necessita de um software que realize a programação, enquanto que o segundo pode ser programado diretamente no hardware. Neste caso, o software é capaz de realizar a integração, fazendo com que o CLP controle o Inversor de Frequência, atendendo a necessidade de operação da indústria e fornecendo dados de ambos os hardwares, permitindo a realização de diagnósticos para um melhor funcionamento.

Uma vez que os equipamentos estejam integrados por meio do software, os benefícios que começam a surgir vão além da redução na relação homem/hora dentro do custo da operação. Com a comunicação entre todos os componentes que integram uma solução facilitada, o gerenciamento de dados e a construção do sistema de automação se tornam mais rápidos e assertivos.

Mas esta integração pode ser ainda mais simples e eficaz. Existem no mercado diversas soluções que realizam a programação e configuração integrada de diferentes componentes, como IHMs, CLPs, servo-amplificadores, inversores de frequência, motion controllers e robôs. E aqui reforçamos novamente que quanto menor o número de fornecedores destes equipamentos, mais simples será sua integração.

Observados todos estes pontos, é possível concluir que a escolha dos fornecedores de automação industrial é vital e deve considerar a integração dos equipamentos aos softwares oferecidos para sua gestão. Tal cuidado poderá trazer economia na relação homem/hora assim como ganhos futuros relacionados à produtividade e qualidade.
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(*) Thiago Turcato é mestre em Engenharia Elétrica pelo Centro Universitário da FEI e atua na área de automação industrial desde 1997. Atualmente, é supervisor de suporte técnico da divisão de Automação Industrial da Mitsubishi Electric do Brasil.

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