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17/03/2017 - IPESI INFORMA

Desemprego afeta também o estado físico e emocional das pessoas



O presidente Michel Temer anunciou  pessoalmente a criação de 35.612 postos formais de trabalho em fevereiro, a maioria no setor de serviços. O saldo é positivo pela primeira vez em 22 meses. Apesar da boa notícia o fato é que o desemprego no Brasil é altíssimo, atingindo mais de 12 milhões de pessoas.

Além das complicações à vida financeira, o desemprego afeta também o estado físico e emocional das pessoas, de acordo com a pesquisa "Impactos do Desemprego: saúde, relacionamentos e estado emocional", conduzida pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

De acordo com o estudo, 59% dos entrevistados se sentem deprimidos ou desanimados, 63% estão estressados ou nervosos e 62% dizem ter estado angustiados. Também foram citados sentimentos de privação de consumo que tinha anteriormente (75%), ansiedade (70%) e insegurança de não conseguir um novo emprego (68%).

Em menor proporção foram mencionados sentimentos de medo (57%), baixa autoestima (55%), perda de valor perante as pessoas (39%), vergonha diante de amigos ou parentes (37%) e culpa (26%).

Por outro lado, 54% das pessoas passaram a sentir-se esperançosas com a vida após perder o emprego e três em cada dez (30%) estão mais otimistas do que era antes e confiam que coisas boas irão acontecer.

Para José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, por mais difícil que seja, a partir do momento em que a pessoa perde o emprego é importante agir com serenidade. "Uma pessoa que está nessa situação deve realizar um planejamento do orçamento com calma, para evitar atitudes precipitadas como empréstimos em condições desfavoráveis e com taxas de juros muito altas, por exemplo. Esse tipo de atitude pode comprometer a vida financeira e, consequentemente, a saúde mental e física", orienta.

Os entrevistados também disseram que o desemprego afetou a saúde, à medida que mais da metade (51%) teve alterações no sono, 45% relatam mudanças no apetite, 40% têm dores de cabeça ou enxaquecas frequentes, 29% tiveram alteração na pressão (principalmente aqueles com mais de 50 anos, 54%) e 16% disseram descontar a ansiedade em vícios como álcool, cigarro, comida entre outros.

Com relação aos impactos nos relacionamentos, o estudo mostra que seis em cada dez (59%) daqueles que perderam o emprego têm menos vontade de sair, 27% ficam mais isolados das pessoas, 9% tem feito algum tipo de agressão verbal a pessoas próximas e 4% agrediram fisicamente algum parente ou amigo.

Segundo Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o trabalhador precisa ter uma visão realista de sua situação para evitar problemas financeiros maiores. "É importante que o desempregado mantenha a mente aberta para propostas diferentes das que ele esteja esperando, seja em termos de salário ou função. Nessa hora, trabalhos alternativos também podem ser uma fonte de renda temporária", diz.

Foram entrevistados pessoalmente 600 brasileiros desempregados acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro geral é de 4,0 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

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