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Metal Mecânica

17/03/2017 - IPESI INFORMA

Novas tecnologias de materiais e de instalação tornam a blindagem veicular mais acessível



O especialista em blindagem, segurança e design automotivo Glauco Splendore, que acumula mais de 30 anos neste segmento, inaugurou, no mês passado, a Splendore Blindagem. A empresa, que conta com uma fábrica-oficina na zona sul de São Paulo, investiu mais de R$ 5 milhões para levar aos clientes serviços personalizados e com a máxima segurança na blindagem de automóveis. Para isso, conta com funcionários com grande experiência e com equipamentos e tecnologia de ponta nesse segmento.

Formado pela Faculdade de Engenharia de São Paulo (Fesp) e com mais de mil carros blindados no currículo - é responsável pela construção da maior frota de carros blindados pesados do Brasil e foi pioneiro na blindagem de veículos do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) - Splendore também acumula experiência no setor automotivo como empreendedor, tendo desenvolvido vários projetos com foco em carros importados, veículos de design personalizados, desenvolvimento de marcas e startups de concessionárias.

"Mas gosto também de trabalhar em áreas mais leves, mais prazerosas, do que segurança e negócios automotivos", diz o empresário. De fato, ele é, também, o fundador e o proprietário da marca de luxo Splendore Charutos.

A seguir, trechos da entrevista.

Metal Mecânica - O setor de blindagem veicular parece não estar sentindo os efeitos da crise. Afinal, a quantidade de carros blindados não para de crescer, na contramão do próprio mercado automotivo, há tempos bastante contraído. Isso seria reflexo de um fato lamentável, o de que o brasileiro definitivamente se tornou refém da violência urbana?
Glauco Splendore - Blindar o carro é uma maneira de não se tornar refém. Muitos brasileiros com algum poder aquisitivo - que não precisa nem ser muito grande - já perceberam que ter um carro blindado é desfrutar da enorme sensação de liberdade proporcionada por não sentir medo. O Brasil realmente se tornou um país muito violento, quem não sabe disso? E a modalidade de crime mais cultivada é o assalto, o latrocínio, principalmente contra pessoas que estão dentro de seus carros.

O medo desse tipo de crime faz o Brasil possuir, hoje, a maior frota de blindados do mundo. São mais de 130 mil carros blindados no país nas mãos de civis. Até pouco tempo, estávamos em segundo lugar, atrás do México. Mas lá a blindagem é feita mais para prevenir sequestros, e não assaltos à mão armada. É um crime necessariamente mais seletivo e pensado. Já no Brasil, não. Qualquer motorista pode ser atacado a qualquer momento, em qualquer lugar. 

Metal Mecânica - Quem são hoje os brasileiros que procuram as empresas especializadas em blindagem automotiva? Há um perfil de clientela definido? Pela quantidade de usuários, imagina-se que seja uma clientela bem variada.
Splendore - De fato. A clientela de hoje está bem mais democratizada do que em meados da década de 1980, quando a blindagem automotiva foi implantada comercialmente no Brasil. Então, apenas políticos, funcionários públicos graduados, banqueiros, personalidades, grandes empresários, procuravam blindar seus automóveis. Era uma operação cara, já que os materiais utilizados na blindagem eram apenas as chapas de aço e os vidros resinados. Os carros tinham também de ser grandes e possantes, pois a blindagem era pesada e tornava-os mais difíceis de dirigir.

O consumo de gasolina também aumentava consideravelmente. Hoje, com os avanços tecnológicos no setor, a blindagem está bem mais barata e acessível, e os novos materiais, como as mantas de aramida balística, não pesam excessivamente nos carros, permitido, portanto, que a blindagem seja instalada até em automóveis pequenos e médios. Hoje, uma blindagem exerce um sobrepeso em um sedan médio, como o Audi A6 ou o BMW5, de cerca de 160 quilos, apenas. Embora seja preciso ter em mente que numa blindagem a prioridade é a segurança, e não a leveza. O carro não precisa mais virar um tanque, mas também não pode aspirar a ser um kart.

É também por todos esses fatores que o mercado se expandiu e deverá continuar se expandindo. Prevemos ter um crescimento entre 15% a 20% neste ano, incluindo o setor de aluguel de carros blindados, que vem crescendo muito também.

Metal Mecânica - O que mudou em termos tecnológicos na área de blindagem automotiva?
Splendore - Os avanços foram muitos, tanto em termos de materiais como nas tecnologias de instalação. Hoje, muitos materiais podem ser usados no lugar das chapas de aço, com a exceção de áreas estratégicas como dobradiças de portas, maçanetas, colunas, retrovisores, onde a utilização do aço ainda é mais recomendável. Mas, nas forrações, materiais bem mais leves e tão eficientes como o aço, como as aramidas e os polímeros especiais - kevlar, twaron, spectra - podem ser empregados sem problemas para a proteção contra armas de mão como revólveres e pistolas.
Não à toa, esses materiais são também usados em coletes à prova de balas. Quem quiser, também pode utilizar aços de revestimento mais leves - que já existem no mercado, mas são bem mais caros - ou placas de cerâmica, para evitar a penetração de projéteis de fuzis. O vidro à prova de balas pode ser reforçado por lâminas de cristal e polímeros, com a espessura variando de acordo com o nível de proteção desejado. E é possível combinar esses elementos até um ponto bastante bom. Os projetos de implantação da blindagem hoje podem ser muito mais flexíveis do que antigamente, ficando quase que ao gosto e conforme o bolso do cliente.

Metal Mecânica - Mas toda essa tecnologia e esta flexibilidade também não podem se constituir numa ameaça à eficiência do projeto? Ou seja, elas não permitem que projetos mais baratos sejam também, em alguns casos, meros arremedos de blindagem? 
Splendore - Obviamente, esse risco existe. O crescimento da demanda implicou no natural aumento da oferta. Hoje há dezenas de empresas de blindagem automotiva atuando no país, mas embora todas sejam obrigadas a certificarem o material que utilizarão em testes feitos pelo Exército, algumas acabam utilizando outros materiais à revelia ou utilizando os materiais certificados fora dos padrões. Muitas oficinas agem assim para poderem cobrar menos. Perdem dinheiro por unidade produzida, mas ganham no volume. Mas quem vai sofrer é o usuário, pois está comprando uma blindagem que pode não cumprir o que prometeu.

Há sete níveis de blindagem que devem ser obedecidos, que vão do Nível I ao Nível VII, cada qual mais resistente aos ataques de armas de diferentes calibres que o anterior. Nós, da Splendore Blindagem, estamos capacitados para oferecer blindagens até o Nível III A, o que, na prática, significa dar maior segurança aos veículos de passeio, pois este nível de blindagem é resistente aos projéteis com características impactantes e perfurantes, que são os mais usados pelos assaltantes. Uma garantia que oferecemos é a de, além de sempre buscarmos certificações pontuais, também sermos certificados por normas nacionais e internacionais de qualidade.

Metal Mecânica - Os cuidados com a instalação da blindagem são os mesmos em todos os tipos e modelos de carros?
Splendore - No nosso caso, tentamos executar o serviço do modo o mais personalizado possível. Embora tenhamos estrutura para o atendimento de um volume muito mais significativo de clientes, serão feitas blindagens de, até, 30 carros por mês. Como o nosso foco não é a quantidade, mas a qualidade, podemos atender de forma individualizada todos os veículos recebidos.

Outros diferenciais destacados referem-se à linha de produção contínua, acabamento minucioso, maior garantia do mercado - de seis anos em compostos de policarbonato -, testes e serviços integrais envolvendo a revisão e manutenção, além de kit personalizado e treinamentos voltados ao bom uso do carro blindado e à direção evasiva. Pois nada adianta a pessoa ter um carro blindado se anda de janela aberta.

Para tudo isso, contamos com uma equipe de mais de 30 funcionários que têm pelo menos uma década de atuação no setor. E mais de 90% dos equipamentos que serão utilizados são importados da Itália - referência no segmento automotivo. Isso nos permite priorizar a precisão, durabilidade e o alto desempenho de todo o processo.  (Alberto Mawakdiye)

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