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19/05/2017 - IPESI INFORMA

Profissionais da terceira idade sentem queda nas ofertas de emprego

O alto e crescente índice de desemprego também afeta a massa mais experiente de trabalho. É o que revela recente levantamento sobre aposentados ou em idade para se aposentar realizado pela Vagas.com. De acordo com a pesquisa, 72% dos respondentes afirmaram que estão sem emprego. Em 2012, ano do primeiro estudo, esse percentual era de 48%.

"O desemprego também está castigando quem mais poderia contribuir em períodos de dificuldade. Os profissionais da terceira idade também sentiram na pele a queda nas ofertas de emprego e a procura das empresas por pessoas mais experientes. Essa diminuição do interesse das empresas é reflexo da crise e da falta de novas oportunidades no mercado de trabalho", explica Rafael Urbano, coordenador da pesquisa na Vagas.com.

O estudo "Aposentados ou em idade para se aposentar no mercado de trabalho" foi realizado de 13 a 20 de fevereiro deste ano por e-mail para uma amostra da base de currículos cadastrados no portal de carreira Vagas.com.br, contemplando homens e mulheres com mais de 60 anos. O objetivo da pesquisa era entender o comportamento desse público, como lidam com o mercado de trabalho e quais são suas aspirações. Os 2367 respondentes são, em sua maioria, homens (85%), possuem idade média de 62 anos, nível superior (44%) e renda de R$ 1.734 a R$ 7.474 (45%).

A pesquisa mostra que 62% estão aposentados. Em 2012, essa mesma massa era de 82%. Do total de respondentes que estão aposentados, 76% não trabalham mais ou estão sem emprego contra 53% em 2012.

O levantamento procurou investigar com essa base de aposentados que está sem emprego ou não trabalha (76%), se está procurando trabalho ou pretende voltar ao mercado. Quase que a totalidade (99%) acenou positivamente para essa possibilidade.

"É um indicador muito importante e que revela que quase a totalidade dos aposentados tem a intenção de retornar ao mercado de trabalho. Esse interesse pela volta pode ser caracterizado pela queda na renda e consequente necessidade de complementação do orçamento", conta Urbano.

PROCURA - Na era do pleno emprego, era comum as empresas recorrerem aos profissionais mais experientes e qualificados para atender a uma alta demanda do mercado. Hoje, o cenário é mais adverso. A pesquisa revela que apenas 17% dos aposentados que estão sem emprego ou não trabalham mais (76%) receberam alguma proposta de emprego nos últimos três meses. Em 2012, 36% foram sondados para voltar ao trabalho.

"O mercado está retraído e com poucas oportunidades. Há alguns sinais de melhora e retomada, mas ainda pouco consistente. Com esse quadro, fica mais difícil as empresas buscarem mais profissionais e isso passa pela procura de aposentados", detalha Urbano.

O estudo também procurou entender os motivos que estão levando os aposentados desempregados e que não trabalham mais a retornar ao mercado de trabalho. De acordo com os resultados da amostra, 57% pretendem ter uma renda extra para complementar o orçamento. Há cinco anos, essa fatia era de 47%. Ganhar uma renda extra para pagar dívidas foi apontado por 15%. Em 2012, somavam 9%. Na primeira pesquisa, 7% pretendiam voltar a trabalhar para ganhar uma renda extra e poupar dinheiro. No estudo atual, essa parcela é de 10%.

"Com a crise, muitas pessoas precisaram encontrar uma forma de incrementar a renda para conseguir arcar com as despesas mensais. Esses números mostram que para os aposentados não foi diferente. Estão de olho em oportunidades para honrar seus compromissos ou até mesmo ter uma reserva para enfrentar as adversidades que surgem a cada momento", analisa o coordenador do estudo.

Essa mesma massa de desempregados (76%) informou o que pretende fazer caso consiga uma nova oportunidade. 68% aceitam trabalhar em qualquer área, desde que haja oportunidade. Em 2012, 60% apontavam para essa mesma opção. Permanecer na mesma área em que sempre trabalhou representam 25%. Retornar a uma antiga área, 6%. E 2% pretendem atuar em uma área que nunca trabalhou.

De acordo com os resultados da pesquisa, aumentou a quantidade de aposentados que estão sem emprego ou que não trabalham (76%) com disposição para trabalhar de 5 a 10 anos: somam 43% ante 40% na pesquisa anterior (2012). Mais que dobrou também aqueles que pretendem continuar no mercado de 10 a 15 anos, saltando de 8% em 2012 para 17% neste ano. Para 19%, até 5 anos é o tempo ideal para continuar na ativa. Representaram 4% aqueles que idealizam trabalhar por mais de 15 anos e, para 19% do total de respondentes, trabalhar até os últimos dias da vida.

O levantamento checou também o comportamento dos aposentados que ainda trabalham (24%). Segundo o estudo, 81% pretendem mudar de emprego. Em 2012, esse grupo era de 80%.

Ao comparar as pretensões do grupo que está sem emprego ou não trabalha (76%) com a massa dos aposentados que ainda trabalham (24%) sobre o período que ainda pretende trabalhar, o resultado é muito semelhante. Para os 24% de aposentados que trabalham, a maior parcela vai concentrar seus esforços de 5 a 10 anos (43%). Para 16%, o ideal é de 10 a 15 anos. Até 5 anos é o tempo mais adequado para 15%. De acordo com 22%, até os últimos dias da vida e, 4%, mais de 15 anos.

Na pesquisa com todos os grupos, também foi verificado qual era a pretensão salarial em relação ao último ganho. Aumentou a presença daqueles que querem ganhar a mesma quantia que anteriormente: saltou de 13% em 2012 para 22% em 2017. O grupo que aceita ganhar um pouco menos que antes, também cresceu, passando de 1% em 2012 para 6% neste ano. A turma que busca acréscimo de 50% ou mais também caiu bastante, saindo de 36% para 26%. De 10% a 20% a mais, recuou também, indo de 14% para 10%. No grupo daqueles que almejam de 21% a 30%, o decréscimo foi 16% para 12%.

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