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22/12/2017 - IPESI INFORMA

Embrapa, em parceria com a Agrosmart, pretende levar a IoT ao campo



Iniciativa da Embrapa através de seus braços Embrapa Informática Agropecuária e Embrapa Meio Ambiente, o projeto SitIoT - cujo objetivo é promover o desenvolvimento de soluções na área de Internet das Coisas para a agricultura - começa a dar os primeiros frutos.

A instituição firmou com a Agrosmart, empresa dedicada à área de plataformas de agricultura digital, uma parceria para o desenvolvimento de um modelo automático de diagnóstico, previsão e monitoramento de propagação de doenças agrícolas. 

A cooperação prevê, basicamente, ações de pesquisas para apoiar o planejamento fitossanitário em lavouras. As ações serão coordenadas conjuntamente pela Embrapa Informática Agropecuária e pela Embrapa Meio Ambiente.

O arcabouço tecnológico da parceria incluirá desde técnicas de manejo integrado de doenças até cálculos matemáticos avançados, além do processamento de imagens digitais e informações obtidas a partir de sensores instalados em campo, tudo visando aperfeiçoar as técnicas para diagnóstico de doenças em plantas. 

AMBIENTE DE INOVAÇÃO - O projeto SitIoT pretende ser um ambiente baseado em um modelo de inovação aberta, para que empresas e startups que tiverem interesse possam testar suas tecnologias, sejam em sensores, redes de atuadores, equipamentos de comunicação e visualização, softwares e modelos. 

Os dados e informações gerados neste ambiente serão compartilhados entre os parceiros e poderão ser utilizados nas pesquisas agropecuárias da Embrapa. Além disso, os pesquisadores também poderão usufruir da base de dados ambientais, de modo a desenvolver métodos mais eficazes para o combate às doenças.

Os experimentos poderão ser realizados em culturas anuais das mais diversas plantas, culturas perenes (fruticultura) e ambiente florestal, sempre visando desenvolver soluções para tomadas de decisão e para o gerenciamento de riscos na agricultura. O objetivo é que as ferramentas ajudem tanto os pequenos quanto os grandes agricultores. 

"A Internet das Coisas (IoT) já se mostrou capaz de alavancar a agricultura digital, e a Embrapa quer exercer um papel agregador nesse novo ecossistema de inovação, apoiando iniciativas de diferentes empresas e tecnologia no setor agrícola", afirma o presidente da empresa, Maurício Lopes. "A parceria entre a Embrapa e a Agrosmart é um primeiro e importante passo nesta direção".

O uso de tecnologias avançadas no combate às doenças da lavoura também teria uma função estratégica, segundo Lopes. De fato, no Brasil, o valor das perdas anuais causadas por pragas e doenças na agricultura é de R$ 55 bilhões, não deixando de fora praticamente nenhuma cultura ou tipo de propriedade.

O futuro do projeto SitIoT parece promissor. Certamente devido à rapidez com que a agricultura digital tem avançado no Brasil nos últimos anos, a Embrapa Informática Agropecuária vem sendo cada vez mais procurada por empresas de tecnologia e por startups para a sondagem de possíveis projetos conjuntos.

O SitIoT não deixa de ser uma resposta a esta demanda. De acordo com a Embrapa, esse novo ecossistema de agricultura digital precisaria ser, principalmente, mais bem articulado, pois estaria muito fragmentado. O projeto SitIoT - junção das palavras "sítio" e "IoT" - seria, assim, nada mais do que um ambiente colaborativo no qual a Embrapa, como empresa pública, seria o agente facilitador e fomentador.

CAFEEIRO - Dentro da parceria assinada com a Embrapa, a Agrosmart, na fase inicial, vai instalar sensores na cultura do cafeeiro no campo experimental da Embrapa Meio Ambiente, localizada em Jaguariúna (SP). A iniciativa contará com a participação de profissionais de diversas áreas, como engenheiros eletrônicos, biólogos, meteorologistas, engenheiros agrônomos e cientistas de dados. 

Nesse campo experimental, está instalado o sistema Face (Free Air CO2 Enrichment), que avalia em condições de campo o efeito das mudanças nos níveis atmosféricos de CO2 sobre a cultura do café. O Face-Café é o primeiro experimento do tipo na América Latina e o único no mundo sobre esta cultura. Desde sua instalação, em agosto de 2011, tem sua instrumentação baseada em uma rede de sensores sem fio, que é uma das peças fundamentais da IoT.

A ideia da Embrapa é de desenvolver e colocar no mercado a nova tecnologia obtida, de maneira a beneficiar o setor cafeeiro com modelos de predição e controle de doenças agrícolas, ajudando o produtor no seu dia a dia e resultando em outros benefícios, como economia no uso dos insumos agrícolas e redução de perdas.

A doença-alvo nessa primeira fase será a ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, uma das principais doenças da cultura no Brasil. A ocorrência natural da doença na área experimental de café da Embrapa Meio Ambiente vai assegura a obtenção dos dados durante a execução das ações e permitirá o acompanhamento da incidência dela em diferentes anos agrícolas e a identificação de variações nos parâmetros climáticos que suportem a tomada de decisões para o manejo fitossanitário pelo produtor.  (Alberto Mawakdiye)

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