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20/06/2018 - IPESI INFORMA

Energia eólica e solar terão participação cada vez mais destacada em todo o mundo

A energia eólica e a energia solar deverão aumentar para quase 50% da geração mundial até 2050 devido à redução drástica de custos e ao advento de baterias mais baratas, o que permitirá que a eletricidade seja armazenada e descarregada para atender a mudanças na demanda e no fornecimento.

No dia 19 de junho, a Bloomberg NEF (BNEF) publicou sua análise anual de longo prazo do futuro do sistema elétrico global - o New Energy Outlook (NEO) de 2018. O relatório de 150 páginas baseia-se em uma pesquisa detalhada, feita por uma equipe de mais de 65 analistas em todo o mundo, incluindo modelagem sofisticada de sistemas de energia país a país, e a dinâmica de custos em evolução de diferentes tecnologias.

As perspectivas deste ano são as primeiras a destacar o enorme impacto que a queda nos custos das baterias terá no mix de energia nas próximas décadas. A BNEF prevê que os preços da bateria de lítio-íon, que já caíram cerca de 80% por megawatt-hora desde 2010, continuarão a cair à medida que a produção de veículos elétricos aumente ao longo dos anos 2020.

Seb Henbest, chefe da Europa, Oriente Médio e África da BNEF e principal autor do NEO 2018, disse: "A estimativa é que US$548 bilhões sejam investidos em baterias até 2050, dois terços disso conectado à rede e um terço instalado behind-the-meter em residências e empresas. "A chegada do armazenamento barato de bateria significa que fica cada vez mais possível aprimorar a entrega de eletricidade a partir da energia eólica e solar, para que essas tecnologias possam ajudar a atender a demanda mesmo quando o vento não estiver soprando e o sol não estiver brilhando. Como resultado, as energias renováveis tomarão uma parte cada vez maior do mercado existente de carvão, gás e energia nuclear."

O estudo prevê um investimento de US$11,5 trilhões em todo o mundo em nova capacidade de geração de energia entre 2018 e 2050, com US$ 8,4 trilhões deste total em energia eólica e solar, e outros US $1,5 trilhão em outras tecnologias de carbono zero, como hidrelétrica e nuclear.

Esse investimento produzirá um aumento de 17 vezes na capacidade solar fotovoltaica em todo o mundo e um aumento de seis vezes na capacidade de energia eólica. A estimativa é que o custo nivelado da eletricidade, ou LCOE - que cobre todos os elementos de custo de um novo projeto de geração, incluindo despesas de desenvolvimento e construção, operações e manutenção, custos de combustível e financiamento - de novas usinas fotovoltaicas caia mais 71% até 2050, enquanto eólica terrestre cairá mais 58%. Estas duas tecnologias já registraram reduções de LCOE de 77% e 41%, respectivamente, entre 2009 e 2018.

"O carvão surge como o maior perdedor a longo prazo. Superado pelo custo da energia eólica e fotovoltaica para geração de eletricidade em massa, e baterias e gás pela flexibilidade, o sistema elétrico futuro se reorganizará em torno de energias renováveis baratas - o carvão será pressionado", disse Elena Giannakopoulou, chefe de economia de energia da BNEF.

O papel do gás no mix de geração evoluirá, com aumento na construção e utilização de usinas elétricas a gás para proporcionar suporte para as energias renováveis, em vez de produzir a chamada eletricidade de carga base ou contínua (round-the-clock). A BNEF estima que US$ 1,3 trilhão será investido em novas capacidades até 2050, quase a metade em usinas de 'pico a gás', em vez de turbinas de ciclo combinado. A geração a gás terá um aumento de 15%, entre 2017 e 2050, embora sua participação na eletricidade global caia de 21% para 15%.

As tendências globais para queima de combustível não serão boas a longo prazo para a indústria do carvão, mas serão moderadamente encorajadoras para o setor de extração de gás. O NEO 2018 estima que a queima de carvão nas usinas cairá 56% entre 2017 e 2050, enquanto a de gás aumentará 14%.

A perspectiva de queda para o carvão significa que o NEO 2018 oferece uma projeção mais otimista para as emissões de carbono do que o relatório equivalente de um ano atrás. A BNEF agora prevê um aumento das emissões globais do setor elétrico de 2% em 2017 para um pico em 2027 e depois uma diminuição de 38% em 2050.

No entanto, isso ainda significaria que a eletricidade não cumpriria sua parte do esforço de manter os níveis globais de CO² abaixo de 450 partes por milhão - o nível considerado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática como consistente com a limitação do aumento das temperaturas a menos de dois graus Celsius.

"Mesmo se tivéssemos desativado todas as usinas de carvão do mundo até 2035, o setor de energia ainda estaria acima de uma trajetória segura para o clima, queimando muito gás. Chegar a dois graus requer uma solução de carbono zero para os extremos sazonais, um que não envolva plantas a gás sem tecnologias de captura de CO2", comentou Matthias Kimmel, analista de economia energética da BNEF.

O New Energy Outlook da BNEF é respaldado pela economia em evolução de diferentes tecnologias de energia e por projeções de fundamentos de demanda de eletricidade, como população e PIB.

Ele pressupõe que as definições de políticas de energia existentes em todo o mundo permaneçam em vigor até o seu vencimento programado e que não haja medidas governamentais adicionais.

Entre os outros destaques do NEO 2018 estão as altas taxas de penetração de energias renováveis em muitos mercados (87% da oferta total de eletricidade na Europa até 2050, e 55% nos EUA, 62% na China e 75% na Índia). Ele também destaca uma mudança para uma maior "descentralização" em alguns países como a Austrália, onde, em meados do século, os consumidores de fotovoltaica e baterias responderão por 43% de toda a capacidade.

O estudo também analisa o impacto da eletrificação do transporte no consumo de eletricidade. A estimativa é que os carros elétricos e ônibus estarão usando 3.461TWh de eletricidade globalmente em 2050, o equivalente a 9% da demanda total. A previsão é que cerca de metade da tarifação necessária será feita numa base "dinâmica", aproveitando os momentos em que os preços da eletricidade estão baixos devido à elevada produção de energias renováveis.

Esta análise baseia-se no último Electric Vehicle Outlook da BNEF, publicado em 21 de maio, que previa que os veículos elétricos representariam 28% das vendas globais de carros novos até 2030 e 55% até 2040. Os ônibus elétricos devem dominar seu mercado de forma ainda mais decisiva, alcançando 84% de participação global até 2030.

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