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17/04/2014 - IPESI INFORMA

Indaiatuba aposta na bicicleta como meio de transporte



Um dos mais promissores polos da indústria automotiva brasileira - há ali instalações da GM, da Toyota e da Honda - a paulista Indaiatuba, localizada a 90 quilômetros de São Paulo, na região de Campinas, e com apenas 210 mil habitantes, parece querer se tornar, também, a capital brasileira da bicicleta.

Uma pesquisa recém-concluída da Associação dos Ciclistas de Indaiatuba (ACI) mostrou que circulam hoje no município nada menos do que 130 mil bicicletas, quantidade bem maior do que a de carros, que somam 94 mil. É uma bike para cada 1,6 habitantes, quase o dobro da média per capita brasileira, que é de uma bicicleta para cada 3 habitantes, segundo a  Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo).

É ainda uma média muito superior à quantidade de carros por habitantes no país, que já é atualmente de um para 5 - sim, por mais incrível que pareça, o Brasil possui mais bicicletas per capita do que carros.

"Há algumas casas em Indaiatuba com três pessoas e quatro bicicletas", diz o funcionário público Agnaldo Sérgio Hubert, presidente da ACI, que realiza essa pesquisa todos os anos, desde 1999, literalmente batendo de porta em porta. De acordo com ele, o número de bikes hoje na cidade é mais do que o dobro do que o verificado no primeiro ano da pesquisa, que foi de 63.430 bicicletas.

O curioso é que Indaiatuba não parece ser uma cidade geograficamente muito apropriada para a circulação de bikes. A cidade é relativamente plana, mas possui vários trechos íngremes e é cortada na altura do centro por um vale bastante fundo, onde passa um córrego que separa as partes nova e antiga do município.

Mesmo assim, são os ciclistas que predominam na paisagem: há principalmente gente indo e voltando do trabalho ou da escola de bike, mas também pessoas simplesmente passeando com uma magrela, sozinhas ou em grupo, ou até em família. Diga-se: nem todos com a necessária educação de trânsito. É comum ver ciclistas andando na contramão ou ultrapassando sinais vermelhos.

"EcoBike" - Esse gosto pelas bicicletas não surgiu do nada na cidade. Houve muitos investimentos da prefeitura para que Indaiatuba aderisse em massa às bikes. A cidade conta com 13 quilômetros de ciclovias e 12 quilômetros e ciclofaixas (as ciclovias sem separação física do trânsito de veículos). E a prefeitura pretende implantar mais 20 quilômetros de vias exclusivas nos próximos anos.

A prefeitura ainda mantém um programa de estímulo ao uso das bikes ao estilo europeu, o "EcoBike", dentro do qual é possível retirar, entre as 08h00 e as 17h00, uma bicicleta em vários pontos da cidade, utilizá-la gratuitamente por até quatro horas e devolvê-la em outro ponto qualquer, à escolha do usuário. Isso incentivou muitas pessoas a utilizarem o veículo para ir e voltar do trabalho.

Para participar do programa, basta se cadastrar: hoje, já são 12.850 pessoas cadastradas, e o número de empréstimos desde que o "EcoBike" foi lançado, em junho de 2012, já supera 35 mil. Saliente-se que o nome "EcoBike" não é casual. As mais de 200 bicicletas disponíveis são feitas de material reciclável. Dez delas possuem cadeirinha para o transporte de crianças e cinco são duplas, para passeios em família.

Outro fator que ajudou bastante a disseminar as bikes em Indaiatuba é o amor de muitos moradores pelos esportes ciclísticos. Há muitos cidadãos de Indaiatuba famosos no circuito nacional de ciclismo e o próprio prefeito, Reinaldo Nogueira (PMDB), já foi campeão estadual juvenil em 1981.

"Bicicleta significa menos poluição, diminuição do trânsito e mais saúde, esporte e lazer", diz o prefeito, que também está construindo no município um velódromo - pista de corrida de bicicletas -, que ele pretende tornar uma referência desse esporte olímpico no Brasil.

Hoje, Indaiatuba é uma cidade próspera, graças, sobretudo, aos fortes investimentos na indústria, especialmente a automotiva e metalúrgica. De origem rural, o município hoje, além de fábricas ou instalações diversas do setor automotivo, também sedia outras várias grifes industriais, como Unilever, Filtros Mann, John Deere (que inaugurou a segunda unidade na cidade recentemente), Yanmar, Agritech Lavrale, TMD Friction, Basf e Plastek, entre outras, que criaram milhares de empregos e forraram os cofres públicos com o dinheiro de impostos.

As condições para o progresso da cidade foram favorecidas pelo seu bom potencial energético, a sua proximidade de grandes centros industriais e comerciais, como São Paulo, o ABC, Campinas e Sorocaba e as várias opções de vias de acesso, inclusive ao Aeroporto de Viracopos, localizado na região de Campinas.

A cidade apresenta atualmente excelentes indicadores nas áreas de educação, saúde e saneamento, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,788, a 76ª melhor posição no país - era a 142ª em 2003, tendo subido, portanto, 66 posições em uma década. O município também é zeloso pelo seu meio ambiente. O Parque Ecológico de Indaiatuba "corta" a cidade em 80% da sua totalidade, sendo considerado o maior parque ecológico em extensão do Brasil. Não é à toa que o povo de lá goste tanto de andar de bicicleta. (texto: Alberto Mawakdiye; foto: Eliandro Figueira/Divulgação SCS-PMI)

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