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Feiras devem privilegiar mercado interno em 2010
Empatando o jogo“Um dos poucos setores da economia brasileira que se mantiveram à tona durante a crise de 2009 foi o de feiras e exposições. Nenhuma das 172 feiras promovidas pelos associados da Ubrafe foi cancelada. A receita global, incluindo locação de espaços, hospedagem, serviços, transportes, ficou em R$ 3,4 bilhões, um valor bastante próximo do período pré-crise, e o número de expositores e de visitantes também foi mais ou menos aquele dos últimos anos. Foram, no total, 35 mil empresas expositoras – representando 180 mil marcas – e 4,6 milhões de visitantes. Olhando para dentro“As fabricantes mais voltadas para o mercado externo perceberam, já no final do primeiro trimestre de 2009, que a crise acabaria mais rapidamente no Brasil do que nos tradicionais mercados norte-americano, europeu, asiático e latino-americano. E resolveram voltar-se para o mercado interno, de modo a compensar as perdas em receita de exportação. Como não existe uma maneira mais rápida e eficiente de tornar um produto mais visível para a clientela do que exibi-lo em uma feira de negócios, as fabricantes que antes não sentiam necessidade de participar, desta vez o fizeram. Tábua de salvação“Na verdade, é nos momentos de crise que os empresários percebem a extrema utilidade da feira de negócios. No fundo, uma feira de negócios não deixa de ser uma mídia presencial, que tem sobre as outras mídias a vantagem de abrir para o fabricante a possibilidade de também poder negociar o seu produto durante a apresentação dele, sem maior esforço comercial. É uma mídia que dá igualmente respostas imediatas sobre as necessidades atuais do mercado, sobre a capacidade de compra dos clientes, sobre expectativas de investimentos. Serve também como barômetro. Aliás, tem empresas que faz tempo já descobriram tudo isso, e são tão convictas da eficácia dessa mídia que a sua única ação de marketing é participar de feiras de negócios. Ano tranqüilo“Esperamos um 2010 bastante tranqüilo e promissor. A tendência observada em 2009 – de maior participação dos exportadores nas nossas feiras – deve se aprofundar. Embora em recuperação, os mercados estrangeiros ainda não voltaram ao ponto em que estavam antes da crise, e devem passar este ano igualmente sem importar muito, com a provável exceção de commodities agrícolas e minerais. Os exportadores industriais brasileiros terão de continuar de olho no mercado interno para não compartilhar com países como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão, a própria Argentina, um cenário econômico de cores ainda algo sombrias. Pé na estrada“De outro lado, neste ano de 2010 deveremos observar um fortalecimento das feiras regionais. Devagar e sempre, essas feiras vêm sendo incrementadas desde os anos 1980, devido à desconcentração industrial do país – hoje, temos indústrias em todas as regiões e estados brasileiros – e ao conseqüente crescimento dos mercados consumidores locais. Esse movimento foi reforçado com a recente ascensão econômica das classes C e D, que alçou milhões de pessoas para o mercado de consumo e beneficiou desde o fabricante ao atacadista, ao fornecedor de insumos. Essa ascensão tem se dado em todo o Brasil. Centro nervoso“Obviamente, São Paulo deverá ficar novamente com a parte do leão em 2010. Além de a cidade ter maior tradição nessa área de feiras de negócios, é a que oferece a melhor e a maior infra-estrutura para eventos no país. Não é por acaso que, das 172 feiras promovidas pelos associados da Ubrafe, 120 sejam promovidas em São Paulo. Isso equivale a 75% do mercado brasileiro. Da área total disponível para a realização de feiras no Brasil - 2,6 milhões de m2 - nada menos do que 2,1 milhões ficam na cidade. Mercado maduro“As feiras de negócios constituem um mercado plenamente maduro no Brasil. Disso dá conta a segmentação delas, cada vez mais palpável: do salão do automóvel, por exemplo, nasceu o salão de autopeças, e deste, o salão de autopeças para veículos pesados. As feiras do tipo universal de informática e de metal-mecânica, e de construção civil e de têxteis e confecções, também deram origem a várias crias. Essa segmentação permite ao expositor focar-se com exatidão na sua clientela, com enorme retorno em termos de custo e benefício. E facilita muito também a vida do visitante. É uma distância imensa da primeira feira de negócios promovida no Brasil, que aconteceu em 1954, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, nas comemorações do Quarto Centenário da fundação da cidade. Essa feira foi tão multissetorial que um estande mostrando uma turbina de usina hidrelétrica tinha por perto um outro mostrando gaiolas de passarinhos. Mas conseguimos evoluir, e ainda mantendo um senso refinado do que é uma cadeia produtiva. Em todas as feiras do Brasil, há espaço tanto para o fabricante de máquinas como para o produtor de arruelas, por exemplo. Nesse aspecto, a feira de negócios é uma mídia inclusive democrática, não distinguindo o grande do pequeno. (Alberto Mawakdiye)
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