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Mercado de eletroeletrônicos cresce 11% no primeiro semestre

O mercado brasileiro de eletroeletrônicos cresceu em faturamento 11% no primeiro semestre de 2011, em comparação ao mesmo período de 2010, um índice vistoso, mas que segundo Humberto Barbato (foto), presidente da Abinee, não significa que a indústria setorial brasileira esteja navegando de vento em popa, já que as empresas instaladas no país vêm perdendo espaço para os importados no mercado doméstico. As vendas externas também sofrem queda até mesmo em segmentos como o de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) e equipamentos industriais em que a indústria brasileira se mostrava internacionalmente competitiva.

         Barbato reconhece que o crescimento do mercado não desprezível, mas a indústria local não se beneficia desta expansão. Ele lembra que os dados sobre o faturamento setorial incluem as importações, que crescem em função da valorização do real frente ao dólar e das deficiências estruturais que tornam o produto brasileiro pouco competitivo, até mesmo no mercado interno.
Segundo o presidente da Abinee, para a indústria brasileira ser competitiva internacionalmente - considerando a atual estrutura tributária, trabalhista e as deficiências logísticas e os altos custos da energia elétrica para a indústria - o real precisaria estar cotado a 2,70 por dólar.

GTD - Newton Duarte, diretor da Abinee para a área de GTD, afirma que nos últimos anos os preços dos produtos do setor caíram mais que 30% em média, apesar dos planos de investimentos que ocorrem com regularidade, propiciando encomendas de equipamentos. Porém a indústria local enfrenta problemas, como a modalidade de leilões via internet com encerramento randômico e a falta de qualificação técnica dos participantes dos leilões.
Um outro problema, de acordo com a Abinee, são os incentivos aos investimentos da Zona de Franca de Manaus para a infraestrutura na Amazônia Legal, que dá isenção fiscal aos bens de capital importados, o que coloca os fornecedores estrangeiros em vantagem em comparação aos fabricantes de equipamentos de outras regiões do país.

Já exportações do setor de GTD caíram 25% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010. As exportações de transformadores caíram 46% no período. Uma parte destas quedas acentuadas se deve à redução das importações dos Estados Unidos. Além disso, produtos de origem asiática ganham fatias significativas no mercado mundial, pelos preços extremamente competitivos. Conforme Duarte, as exportações de produtos como transformadores ocorrem quase que somente quando há exigência por parte do cliente de um produto de determinada marca.
Celulares - Os telefones celulares apresentaram a maior redução no volume de exportações. Caíram 48% no primeiro semestre de 2011, passando de US$ 535 milhões para US$ 275 milhões.

         A queda foi fortemente influenciada pela redução das compras produtos brasileiros em dois dos principais destinos de exportação: Argentina e Venezuela, por conta das políticas industriais que vêm sendo implementadas nos dois países com vista a substituir as importações por produção local. Sob o risco de perder mercado, várias multinacionais, inclusive as que têm produção no Brasil, se instalam nos dois países.
         Além disso, o mercado latino-americano como um todo sofre o assédio dos fabricantes asiáticos, com preços extremamente competitivos. No Brasil, conforme o gerente de economia da Abinee, Luiz Cesar Rochel, há celulares com agregado tecnológico pouco menor que dos smartphones que chegam da Ásia por cerca de US$ 15 a unidade.
         Expectativas -  A Abinee projeta que o setor movimentará R$ 134,9 bilhões, com crescimento de 8% em relação a 2010, quando atingiu R$ 124,4 bilhões. Todas as áreas da indústria projetam crescimento que varia de 2% (Utilidades Domésticas) e 16% (Telecomunicações).
         O mercado interno deverá ser o principal vetor para o crescimento setorial, já que não se espera grandes alterações no volume de exportações. (Franco Tanio)

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