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Setor eletroeletrônico cresce, mas perda da competitividade da indústria preocupa

A indústria elétrica e eletrônica fecha 2011 com faturamento de R$ 134.904 milhões, o que reflete uma expansão de 8,5% em comparação a 2010, conforme dados divulgados pela Abinee. As exportações somam US$ 7.880 milhões, com crescimento de 3,4%. Já as importações totalizam US$ 40.093 milhões, com expansão de 14,9%. O déficit na balança comercial do setor totaliza 32.213 milhões, aumentando 18,2% em relação a 2010.

         Para 2012, a Abinee prevê um crescimento setorial de 13%, com o faturamento de R$ 152.534 milhões. Para as exportações, a projeção é de crescimento de 5%, totalizando US$ 82.264 milhões. As importações vão somar US$ 46.100 milhões, com crescimento de 15%. O saldo negativo da balança setorial atingirá US$ 37.825 milhões, com crescimento de 15%. As previsões para 2012 estão sujeitas a alterações.

         Os dados de 2011 e as expectativas para 2012 sugerem à primeira vista um quadro bastante positivo para a indústria brasileira. Não é bem assim. A expansão de 8% no faturamento de 2011 não significa expansão da atividade industrial e sim uma crescente participação dos produtos importados no mercado brasileiro, conforme Humberto Barbato, presidente da Abinee.
         De fato, o volume de produção física no Brasil ou “Índice de Quantum”, como prefere a Abinee, reduziu 7,2%, de 2008 para 2011. Já o total de importações em unidades físicas no período aumentou 27,4%. No segmento de produtos elétricos, as importações cresceram 53,8%. Em produtos eletrônicos o crescimento foi de 48,9%. Já em componentes, o volume de importados aumentou 9,2%.

         Esta variação relativamente pequena no volume de importação de componentes (inclui também partes e peças) sugere que a própria atividade de montagem de produtos elétricos e eletrônicos foi reduzida e que o mercado foi suprido por produtos finais importados.
         As causas da redução da atividade industrial como um todo, não só no setor eletroeletrônico, são as conhecidas: valorização do real (de 2008 a 2011 foi de 9%, conforme a Abinee) e o chamado Custo Brasil. Combinados, esses dois fatores minam a capacidade de competição do fabricante brasileiro de tal forma que, mesmo em segmentos tradicionalmente exportadores, a perda de mercado é visível. Um exemplo é do que ocorre pode ser visto no setor de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD).

         Dados da Abinee indicam que o volume de importações de transformadores elétricos cresceu 46% de 2010 para 2011, passando de US$ 170.001 mil para US$ 247.361 mil em 2011. A importação de geradores aumentou 151%, passando de US$ 42.074 mil para US$ 105.548 mil. A compras externas de fusíveis pata GTD passou de US$ 1.632 mil para US$ 4.389 mil, com variação de 169%. O volume total de importações totais da área de GTD passou de US$ 531.859 mil para US$ 818.296 mil.
         Newton Duarte, diretor da Abinee para a área de GTD, afirma que os números mostram uma tendência que qualifica como “horripilante”. “Partimos de um quadro de superávit, no qual importávamos metade do que exportávamos e, agora, pela primeira vez, fomos deficitários. Isto aponta que as empresas não têm mais competitividade para atender os projetos daqui”.
         Para o presidente da Abinee, a perda de competitividade da indústria brasileira é tão grande que medidas pontuais não são suficientes para reverter o quadro. “O que precisamos é criar um programa de incentivos para estimular a compra de produtos de empresas instaladas no Brasil. As estatais e operadoras têm que ter vantagens para comprar daqui”, afirma. (Franco Tanio)
           


             

 
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