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Taiwan investe na produção de máquinas high end para ampliar exportações à China

 

A República Popular da China e a República da China (Taiwan) vivem em atrito, desde 1949. A China vê Taiwan como uma república rebelde, enquanto Taiwan deseja manter se como um estado independente. Cada demonstração militar que ocorre em dos lados do Estreito de Taiwan, que separa as duas repúblicas, tem resposta imediata.
         No último dia 10 de agosto, a República Popular da China lançou ao mar seu primeiro porta-aviões. No mesmo dia, em Taipé, a capital de Taiwan, surgiu um enorme outdoor, com a imagem do míssil Hsiung Feng-3, de desenvolvimento local, atingindo um porta-aviões. Nele havia a frase: “Este é o exterminador de porta-aviões”. 
         Apesar da tensão política, os negócios bilaterais, através do estreito de Taiwan, uma faixa de mar com largura média de 180 quilômetros e largura mínima de 130 quilômetros, no Mar da China, nunca estiveram tão fortes, principalmente para a indústria de tecnologia da informação, de telecomunicações e, também, de máquinas-ferramenta. Estas indústrias são beneficiadas com um acordo bilateral de cooperação econômica que, desde setembro de 2010, possibilita a comercialização de bens entre os dois países com tarifas de importação reduzidas.

         Os fabricantes taiwaneses de máquinas já experimentam forte crescimento de suas vendas externas, tendo China e Hong- Kong como seus principais destinos de exportação. E, com o aumento de escala, deverão tornar-se mais agressivos também em outros mercados mundiais e com equipamentos de alta tecnologia agregada. Em dois anos, o acordo permitirá que máquinas taiwanesas de alto valor agregado e determinados índices de nacionalização entrem no mercado chinês, isentas de taxas de importação - o acordo exige por exemplo que os CNCs e uma série de componentes sejam produzidos em Taiwan.
         Com a possibilidade de ter o enorme mercado chinês aberto para as máquinas-ferramenta de alto valor agregado, os fabricantes de máquinas de Taiwan correm para fabricar máquinas tecnologicamente avançadas. Diga-se, com forte suporte do governo, que busca parcerias com países que detêm tecnologias avançadas, como o Japão.
         Em recente entrevista ao jornal japonês “Yomiuri Shimbun”, o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou convidou o Japão a firmar relações de parceria com o seu país para ajudar a penetrar no chinês. “A cooperação econômica entre Japão e Taiwan poderia ser mais sistematizada”, disse o presidente Ma, destacando que as companhias taiwanesas conhecem o mercado chinês, enquanto as japonesas possuem elevado nível tecnológico.

“Se juntos (Japão e Taiwan) penetrarmos nos mercados, teremos mais chances de sucesso”.
         Com o governo de Taiwan disposto a fomentar parcerias que certamente receberão generosos incentivos, as possibilidades de lucros futuros com risco relativamente reduzido são elevadas. Assim, empresas japonesas como a Fanuc, que disputa a liderança mundial no segmento de fabricação de CNCs com a alemã Siemens, já anunciaram investimentos em solo taiwanês.
A empresa deverá investir em 2011 cerca de US$ 70 milhões em sua planta fabril em Taiwan. A Fanuc tem cerca de 70% da fatia de mercado de CNCs em Taiwan enquanto a sua rival Mitsubishi, perto de 30%. O investimento da Fanuc visa auxiliar as empresas de Taiwan aumentarem o conteúdo local e, claro, ver a receita crescer. Estima-se que a produção anual da Fanuc em Taiwan atingirá cifras próximas a US$ 300 milhões.
Outras empresas de origem japonesa preferem fazer investimentos por meio de joint ventures. A Fair Friend Group, fabricante de centros de usinagem, anunciou recentemente uma joint venture com uma empresa japonesa de ponta, fabricante de retificadoras, para implantação de uma fábrica em Taichung, na região central do país. A máquinas a serem produzidas nesta planta são de alto valor agregado e custam atualmente cerca de US$ 350 mil.
         A mesma Fair Friend Group divulgou planos de investimento de US$ 42 milhões, para construir duas fábricas e um centro de pesquisa e desenvolvimento em Taiwan. A empresa pretende também fazer trazer de volta para Taiwan fábricas instaladas em outros países.

         Pesquisa da Tami, a associação de fabricantes de máquinas daquele país, indica que depois do acordo de cooperação com a China, grandes corporações do setor de máquinas-ferramenta e componentes mostram interesse em investir no país. Entre as elas estão nomes como Doosan, da Coreia do Sul, Forest-Line, da França, além de empresas de origem chinesa.
         Os fabricantes de componentes também anunciam grandes investimentos. A Hiwin Technologies Corp., uma das maiores fabricantes taiwanesas de fusos de esferas e dispositivos
para movimentação linear, deve investir cerca de US$ 350 milhões nos próximos três anos.
         Concorrência -  A indústria de máquinas-ferramenta de Taiwan já é hoje uma das mais competitivas do mundo. O Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan prevê que a indústria setorial do país vai superar a Itália, tomando-lhe o posto de terceiro maior exportador mundial, com exportações totais somando US$ 4 bilhões em 2011.
Dados do mesmo ministério indicam que os investimentos setoriais no país mais que dobraram no primeiro semestre deste ano, totalizando cerca de US$ 415 milhões. Os investimentos dos fabricantes de componentes mecânicos cresceram mais que 255% no semestre, somando valores próximos a US$ 725 milhões.
         Estes investimentos refletem nas exportações setoriais, que nos cinco primeiros meses do ano totalizaram US$1,581 bilhão, um crescimento de mais de 53,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas externas de máquinas-ferramenta para corte e usinagem de metais somaram US$1,275 bilhão com crescimento de 61,5%, enquanto as exportações de máquinas para conformação de metais totalizaram US$305,54 milhões, com crescimento de 27,6%.
         China e Hong Kong foram os principais destinos de exportação das máquinas de Taiwan nos primeiros cinco meses do ano. Os dois mercados adquiriram  US$ 687 milhões em máquinas de fabricação taiwanesa, com aumento de mais de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. China e Hong Kong consomem mais de 43% das exportações totais do país.

         Os Estados Unidos permanecem como segundo principal destino de exportação, consumindo US$ 105 milhões, com crescimento de mais de  137%. As exportações para os estados Unidos representam quase 7% do total. A Turquia, um mercado em forte crescimento, aparece como o terceiro mais importante destino de exportação das máquinas de Taiwan, consumindo o equivalente a pouco mais de US$ 78 milhões, ou 5% do total exportado. Outros mercados importantes, pela ordem são: Tailândia, Índia, Brasil, Alemanha, Malásia, Coréia do Sul, Indonésia, Holanda,  Vietnã, Japão, Reino Unido e Rússia.
Nas estatísticas da Abimaq, referentes ao ano de 2010, Taiwan aparece num modesto 13° lugar, como país de origem das importações brasileiras. As importações desde Taiwan somaram US$ 27,6 milhões (1,7% das importações totais). (Franco Tanio) 

            

 

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