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Prazo de entrega para máquinas importadas chega a dois anos

 

Os importadores de máquinas-ferramenta e equipamentos industriais movimentaram cerca de US$ 2,4 bilhões em 2011, o que representa uma expansão de 10% sobre o movimento de 2010, mas abaixo das expectativas dos importadores, de crescimento de 15 a 20%.

         “O ano começou bem, mas sentimos uma diminuição nos negócios a partir de outubro”, afirma Ennio Crispino (foto), presidente da Associação Brasileira de Importadores de Máquinas-Ferramenta e Equipamentos Industriais (Abimei), que reúne cerca de 80 empresas.

         Para o executivo, a arrefecimento no nível de negócios deve-se às incertezas geradas pela crise na Europa e seus possíveis reflexos sobre a economia brasileira. “Ninguém sabe como a economia vai se comportar”, diz Crispino.
         Apesar das vendas estarem abaixo do esperado, o prazo de entrega para bens de capital importados está bastante dilatado, chegando a dois anos para determinados tipos de máquinas de grande porte, como prensas. Para máquinas para usinagem, como as multitarefas de cinco eixos, o prazo de entrega pode variar de seis a nove meses. Até mesmo para máquinas de menor valor agregado, como tornos de pequeno porte, o prazo de entrega pode chegar a 12 meses, caso o distribuidor local não os tenha em estoque.

         O prazo de entrega dilatado - apesar da crise na Europa, da economia chinesa levemente arrefecida e dos Estados Unidos sem conseguir decolar -  sugere, de um lado, que os fabricantes de máquinas não sentem segurança para fazer novas contratações para abrir mais um turno de produção, por exemplo. A contratação e posterior demissão não é simples, especialmente em países da Europa Ocidental.

Um outro aspecto que  pode explicar os prazos de entrega dilatados são os investimentos em produção que vêm sendo realizados em países emergentes, como Índia, Vietnã, Indonésia, Tailândia e Rússia, que deverá passar a fazer parte da Organização Mundial do Comércio (OMC) no próximo mês de dezembro, após 18 anos de negociações. Com entrada do país na OMC, aos investimentos maciços que estão sendo realizados pelas grandes montadoras automotivas internacionais - atraídas pelos incentivos que o governo russo vem oferecendo a empresas que utilizem componentes de fabricação local - outros investimentos tendem a ser anunciados, já que haverá maior segurança jurídica.

         Japão e Tailândia também demandam máquinas-ferramenta para substituir o parque industrial afetado pelas catástrofes naturais - terremoto e tsunami no Japão em março passado; e recente enchente na Tailândia.
Um outro fator é que o terremoto e o tsunami que atingiram o Nordeste do Japão reduziram a capacidade de a indústria japonesa produzir componentes mecânicos finos e eletrônicos, por exemplo, com reflexos para toda a cadeia de produção mundial, porque a indústria japonesa é uma dos principais fornecedoras deste tipo de insumos. Para se ter ideia do tamanho do estrago causado no Japão, há estudiosos que já falam na necessidade de se repensar o conceito de “just in time”, um dos pilares do modo de produção japonês, que ganhou o mundo nas duas últimas décadas do século passado.

Expectativas - O setor automobilístico responde por cerca de 70% do consumo de bens de capital importados. O setor, segundo o presidente da Abimei, mantém as vendas em “ritmo aceitável”, mas a produção de autopeças ainda sofre com a importação de componentes acabados, apesar das medidas de proteção previstas pelo Plano Brasil Maior.
“O aumento de IPI para carros importados e a exigência de 65% de nacionalização das peças de carros nacionais abrem boas perspectivas para o setor de bens de capital, tanto nacionais quanto importados, mas qualquer reflexo só será sentido em meados de 2012”, afirma Crispino.
 Apesar da posição cautelosa do presidente da Abimei, os fornecedores de autopeças parecem, pelo menos, interessadas em instalar bases de produção no Brasil, o que sugere demanda elevada por bens de capital nos próximos anos. À guisa de ilustração, no último dia 23 de novembro, nada menos que representantes de 200 empresas - 80 delas estrangeiras - fornecedoras do mercado automobilístico, que têm potencial para firmar parceria com a Nissan, atenderam ao convite feito pela montadora para conhecer as vantagens de se instalarem no entorno da fábrica que será construída em Resende, Região do Médio Paraíba. A expectativa é que a planta da Nissan entre em operação em 2014.
É pouco provável que todas as empresas realizem investimentos em solo fluminense, mas sabe-se que a meta companhia japonesa é concentrar pelo menos 75% de seus fornecedores a menos de 100 quilômetros da planta de Resende. Outras montadoras com projetos de instalação de fábrica também devem procurar ter fornecedores localizados nas proximidades. A Fiat, que se instalará no Pernambuco, é um exemplo e o governo do estado já conta com medidas de incentivo para atrair a cadeia de fornecedores. Aliás, várias empresas já anunciaram investimentos. Em São Paulo, Toyota, Honda, Hyundai  e Chery também terão sua cadeia de fornecedores.

Segmentos -
Em 2011, as máquinas do segmento de corte e conformação de chapas metálicas foram as que apresentaram melhor desempenho, com alta superior a 10%. “Havia uma demanda reprimida por este tipo de máquinas”, diz Crispino. Já as máquinas para usinagem apresentaram desempenho aquém do esperado, com crescimento inferior a 10%. “Havia capacidade ociosa para estas máquinas e os empresários não precisavam comprar tanto quanto nos anos anteriores”, afirma.


             

 
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